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Mostrando postagens de 2011

Soneto de Fragilidade

Quiçá tivera quimera a meus pés e a tela pintada à vela de giz. Minerva adorada dentro dessa cela decanta a cartela de amores que eu fiz.   Meu rio, permita casar-te com o mar! e ver mais amor na tua tinta bordada Quiçá primavera a banhar-te de pétala deste poeta que sonha chorar.   Visível concreta é a idéia do amor que à dor não permite bater ou entrar e até em martírio proteje o mais frágil.   No vil desacato do fertilizado se diz: - Nascerá mais amor espalhado E morre na vida e se vai no naufrágio.

Alecrim particular

  "Alecrim, alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado..."     - Não se pode combater a lágrima. Deixo então jogados pela cama meus acertos e meus relógios, e corro pros braços de quem sempre me quis bem.   - Posso vencer o dia, ao menos? Enquanto colho aquelas rosas, jogo levemente a areia para o lado, cato as pedras, deixo limpo... amanhã floresce mais.    - Tiro da vida o ar. Permita-me cantar enquanto eu amo, pois nada é mais. Quero esperar da vida apenas o canto, a rosa e a tinta, Pois eu me escrevo e escrevo, rapaz.   E respiro. Amo. Respiro. Amo. Respiro. Amo.   Intercaladando-me em ápices de batimentos que meu coração aguentar, enquanto meu combate com a lágrima não cessar.     "Foi meu amor que me disse assim, que a flor do campo era um alecrim..."

Construção

  De passos que eu dou, perturbo a terra branda, a manchar minha calça e vai ficando suja a borda, até se desmanchar.   É a marca da estrada que constrói minha cicatriz pois cada coração que eu laço vou tratando de fazer feliz.   E as manchas que se fizeram, nem sabão não tira não! porque as manchas não são externas, elas marcaram o coração.   Se um dia eu me soltar dessa minha mansidão, e de porre eu cair, Caio de cara no chão, pra lembrar-me sempre do que eu fiz.   Pois se um dia eu morrer, de amor hei de ficar porque há de acontecer de o meu amor se eternizar!

Meu nome é Zé, tenho 25 anos e quero morrer.

Dôtôra pisicóloga, veja o que tenho pra falar Posso num saber muito bem escrever, mas sei rimar, espero que a sinhora possa me intender.  Nasci numa familia pobre Sem pão nem leite pra me dá de comê minha mãe e meu pai encontrou a morte e eu fiquei sem nada entender   Cresci na rua e só sabia rimar e ninguem dava valor ao que tinha pra falar.   De manhãzinha sentava no banco ouvindo o canto dos passarinhos passando perto O povo me via com "olhar de branco" E Deus, eu sempre soube que eu tava certo  Num tinha rôpa boa pra vestir Tinha o que tinha, o que achava, o que me dava Fui na igreja pra do mal eu me despir E o padre, pensando que eu era ladrão, me expulsava  Eu dei uma flor pra uma moça bem bonita ela correu, cuspiu na flor e jogou fora A dor que toma a gente vem da margarida que com toda beleza e aroma, tá ali, no chão agora  Nesse mundo não tem "oportunidade" só conheço essa palavra porque vi numa placa de rua, daquelas grandes nessa terra ...

Deixe-me vencer

De todos os meus males eu retiro os bens, De todos os demônios eu retiro os reféns, De todas as tuas rezas eu retiro os améns, E de tu, mulher feroz, tirarei tudo o que tens... Pois tudo o que tens eu que te dei E não mereces um pingo do que me esforcei Aceitarei tuas cartas e retratros de perdão, mas perdoar-te, minha cara, certamente nunca irei. Estou vencendo, as poucos, minhas maldições, Caindo e levantando, movendo multidões, E se pra isso eu preciso retirar-te da minha vida, Em teu peito, minha cara, descarregarei as munições. Pois em ti se encontra a força que me mantém caído ao chão E em teu meio, não há força que destrua teu fulgor, E se antes eu preciso me armar até os dentes, Deixe-me vencer, meu bem... Por favor... Não quero me render ao seu amor.

Coragem declarada

Acordo para o fato de que o rumo foi refeito. Me recordo do tratado de permissão a erros. Trago o peito tão marcado de cera de vela e um passado de tortura, uma vida tampouco bela. Mas reclamações eu deixo para a primeira estrofe Porque homem de verdade sofre mas não sofre. A face um tanto séria que trago desde o passado não reflete nada. Nada. Nada. Permitir minha face refletir meu coração é dividir o peso com os olhares de pena e é realmente uma pena! Pois nunca, nesse mundo cão, eu hei de partilhar a glória de vencer minha tormenta! Há de ser a vitória minha busca constante combatendo o desconhecido renascido de poeira e vento Todo dia há um desfecho para o ócio semelhante às lamentações alheias, onde me encaixo bem longe. Eu governo o tempo.

"Brasil! Mostra tua cara..."

- C omo a fumaça que destrói o vento puro, como a surdina torta fazendo barulho como a invasão da água intrusa no circuito como o atrito do lipídio entre meus músculos C omo alguns cacos derrubados no asfalto como a catraca emperrada do registro como a saliva que escorre em meio ao grito como a justiça mascarada do planalto C omo o pincel enferrujado em fina tela como o vazio na casa do vizinho marrento como a frieza encorporando um sentimento como a milícia e os tratores da favela C omo a linguagem distorcida pelo tempo como a gramática levada em gozação como as figuras de linguagem em ascenção como a passagem na avenida em passos lentos C omo o malandro que levou minha carteira e viu a morte alguns segundos depois como a mentira em meio ao amor daqueles dois como a tristeza do final de uma carreira C omo a paixão que dura apenas uma noite e de manhã pede o valor do seu trabalho como o coringa no final do meu baralho como os espinhos corrosivos no açoite C omo o tratado em desacordo c...

Claro

Ele ordena, Ela segue. Ele dita, Ela escreve. Ele mistura, Ela bebe. Ela abre os olhos. ... Ela fala, Ele se cala. Ela segue. Ele apaga. "As mais sinceras almas estão nas palavras."

Escravo de mim

"Fecho os olhos e por segundos vivo o desdito." Quem sou eu? Quem tenho sido? procuro as respostas em passados enfadonhos. No egoísmo do meu próprio mérito, conjugando meus futuros no pretérito, eu me faço um sonhador, ou um contador de sonhos? Na verdade, perdeu sentido ficar me perguntando. Talvez, se eu apagar... eu sonhe e apenas sonhe... Porque pra me completar preciso encontrar meu trono. E sentar, me elevar, me ver um pouco soberano! Soberano sobre mim, poder me escravizar. O poder da multiplicidade faz de mim meu próprio dono. Me servir, me ajudar, ter a mim pra conversar, perguntar sobre o meu dia, já sabendo o que escutar é a beleza da minha humilde sabedoria milenar.

Libertação

E o que mais se pode dizer sobre algo? Considerando o ambiente afetado pelos gases mal-encarados Tempo neblinado, desconcertado, esvaziado Não tem ninguém na rua. Tudo calado. Num espaço vigiado por seres perturbados Cercado por muralhas e grades assustadoras Tendo como parceiro um louco de branco e braços amarrados Nasce o medo de ser o que sou. Atado. Por entre milhares de neurônios afetados Crio um sonho divino de libertação Imagino milhares de seres loucos como todos Trabalhando e maquinando nossa poderosa rebelião Não! Tenho que sair daqui! Esse lugar destrói meu quieto espírito Demasiado trêmulo e afastado de tudo Fecho os olhos e por segundos vivo o desdito.

CAOS

Quero ver até quando vou ter saco pra ficar pagando o pato pelas coisas que nem faço! Nesse amor enigmático, nessa foda tão caótica, que até a velha rótula em meu joelho se aposenta! *** Quero ver se tu me aguenta! Com essa cara de setenta e esse corpinho de vinte mil anos atrás, eu fui e bati lá na porta do requinte que era a que estava aberta quando me deixastes só, apenas com as pernas. Doeu demais, doeu, ambos os lados... e nesses dias nos sentimos fracos, frágeis, pálidos, brancos-neve a mergulhar, o lago já está cheio. Muita gente a nadar. Pouca a respirar. Pouca, poupa! Teu fôlego pode acabar! Tola, a roupa já está toda molhada! Resta sentada, descansa a briga pra amanhã não mais brigar.

Mil, novecentos e ontem.

A verdade é que, por frustração, alguém muito sacana criou o chão. ... Cair no vazio dói menos — Como eu gosto da inércia. Todos, sempre perdidos em seus achados lugares... Dá até vontade de rir... É, meus amigos, antes era possível cair sem se machucar. Ainda não me acostumei a decepções. Minha memória podia ser mais altruista, não?... Talvez a anestesia tenha me consumido! Ora, talvez eu já tenha sentido algo parecido. O futuro agora não se vê, e o presente é um passado remendado... Pra falar a verdade, às vezes minto tentando ser metade do inteiro que eu sinto.

Meus fantasmas da ópera

Ás vezes o terror me parece confortável. Ás vezes o medo me soa... adorável. Ah, Se meus monstros fossem reais e meus fantasmas nos fizesse companhia! Talvez eu fosse mais feliz, talvez eu consumisse mais daquela paz que jaz no breu, no colo teu onde meu corpo tende sempre a descansar. No cais, eu sempre almejarei um pouco mais daquela escuridão, onde eu costumava dormir e sonhar. Aquela mulher que me observava da janela toda noite, onde eu só via a silhueta... Aquele monstro que vivia em meu armário que me fazia tremer do pé até a cabeça... Hoje em dia eu sinto a falta. Ah, Se meus monstros fossem reais! e meus fantasmas me ajudassem a derrubar aquele cais, eu quero muito afundar. Lá, bem lá embaixo, no breu do eterno mar... quem sabe eu encontre a minha paz? É fato que um dia tudo jaz.

Restos (Soneto)

Há uns 6 anos atrás, quando eu tinha 14 anos e estava no 1º ano do colegial, eu escrevi alguns sonetos em um caderno que tinha comprado apenas para poesias, mas esse caderno só acolheu uns 10 sonetos ou menos... Na época eu só queria escrever sonetos. No começo eu escrevia no estilo arcadista, com versos decassílabos e rimas na regra; depois de um tempo, passei a escrever alguns sonetos mais contemporâneos, com mais abertura de expressão. Encontrei este caderno alguns dias atrás e o reli. Escolhi então um de meus antigos poemas para postar, espero que gostem. RESTOS Quando tudo acabou e foste embora, em mim ficou somente abismo e solidão... Minh'alma em pedaços soltos pelo chão sofreu cada minuto, cada dia e hora. Meu peito, de saudade, até hoje chora!... e ainda se deixa levar pela emoção; parece uma criança a sonhar em vão com coisas que não valem nada mais agora. Tudo o que pensei pra nós está perdido; os planos, emoções, ficaram sem sentido, arrastados pelo turbilhão de deseng...

Grão de arte

Perdoem-me suas perdas de tempo, eu realmente achava que era poeta. --- Nossa senhora, mãe de 'd' eus e de todos, menos eu, perdão suplico pela falta de brilho nessa cara de pau com que aqui me apresento. Minhas palavras tem sentido? Te pergunto mil perdões, eu não te ouço... me perdoe o excesso de politicagem mas rezar sem crença realmente é sacanagem. * Ao Deus, dono de todos. A ele suplico mostra-me o caminho certo das palavras pois de insatisfação já me encho nessa tarde. Mostra logo, antes que saia a alvorada! Já não tenho voz, não aguento mais o grito. Mostra-me as palavras, mostra-me um pouco de tua arte. --- Perdoem-me novamente. Espero paciente a resposta. E eu achava que era poeta! Bobinho, eu...

Até o limite

Eles tentam me parar! Por quê? Eu não esbarro em ninguém, ora! Corro em busca de um futuro, apenas. Acredito que está lá, reservado desde o primeiro piscar. Desde a primeira imagem pela retina captada. Desde a primeira moção pelo braço articulada. Desde a primeira visão, já estava lá. E eles ainda tentam me parar. Povo sem visão, sem rumo, ora! Posso tentar ajudar... talvez... só pra quem quiser ir... só pra quem também buscar... pra quem não me atrapalhar... para quem me der a mão... Vamos então! Vamos até o fim, se ele existir. Vamos então! Vamos até o limite, enquanto houver. Prometo... Prometo que paro quando não houver mais limites.

Siga - Hope.

Meu pulmão anda sentindo o gosto da morte e ainda, com toda a falta de sorte a morte insiste em me dizer não. Entro em cavernas, subo em muralhas, me enfio em bosques só pra esconder a dor e a marca dos cortes que vão bem fundo nas cinzas do coração. E ainda sangro. Por que eu mantive aquela faca em meu criado-mudo? talvez, pra um dia usá-la e me isolar do mundo contudo o peito insiste em sangrar vivo em vaidade. Letreiros e cartazes julgando os meus cigarros! talvez ingratos, mas são meus companheiros natos. Só quero mergulhar num poço de verdade. A morte me nega. O cigarro me quer. A poesia morre. A carteira acaba.

Ontem

Lavo o rosto pra tentar tirar de mim esse medo excessivo de tornar-me incapaz os meus erros eu imploro por perdão, e até mais tenho até vontade de me desculpar por erros teus... mas não posso. De certa forma, todo meu esforço é válido se o fim é tirar de mim essa agonia imerecida. É nessas horas que se pensa na morte.

Hipócritas!

Ele treme, ele geme, ele sente... "Veja o que a paz faz com um ser tão sem escrúpulos e me diz agora se queres mesmo um gole dessa covardia." A raiva é reação ao medo do caminho árduo que se percorre para encontrar a paz. A solidão é reação ao medo do caminho árduo que se percorre para encontrar o amor. . E mesmo assim nos rodeiam hipócritas gritando incansávelmente que querem amar. AH! VÃO SE DANAR! Se querem mesmo amar, caiam, mergulhem no mar da decepção, caminhem sobre os espinhos dos riscos mil... E se morrerem no caminho, que suas almas não me culpem! Ora essa! Não são todos os que merecem tal presente glorioso. Caiamos na real, senhoras e senhores, a dor nada mais é do que essencial. "PS.: A resposta para a frase do começo é: Sim, eu quero litros dessa covardia... se esse for o preço da paz."

Pré-epitáfio

"Os outros acham que eu tento manter os olhos abertos; Não! Eu tento fechá-los! Só que não consigo..." Rodeado pelos pontuais curiosos, me pergunto onde estou em vida, afinal, todos ali acham que está acabando... mas pelo visto está apenas começando. As respostas de minha pessoa estão bem distintas. Minha boca geme uma dor que eu não sinto! Meu sangue escorre fora e eu não vejo! E eu não minto, eu não minto, eu não devo. Interessante como meus olhos se comportam: Consigo focar tudo em minha frente! Vejo, ao mesmo tempo, os olhos malditos dos bisbilhoteiros ardentes e o céu de fim de tarde levemente alaranjado pelo sol a se deitar... Quem diria que essa tarde nunca iria se acabar! As vezes, no fim de alguns dias... Aqueles dias que marcam a "vida"... eu chegava a pensar que vivi momentos eternos; agora vejo quão tolo eu era! O eterno é realmente eterno. Acreditem. Dentre os muitos a me olhar, não o vejo. Para onde foi o desgarrado que tentou tirar-me a vida? Digam-no...

Nos passos do nosso encanto

Maltrapilho e torto ando de acordo com o vento danço louco, danço lento danço solto, apenas danço Se dançando torto venho recitar-lhe meu encanto só recebas me amando pois no coração mantenho Minha paz, o meu sustento pra ficar em pé cantando pois de canto eu torto venho só pra tu me ver dançando Te agarro e danço lento nos passos do nosso encanto te dou beijo, te dou dengo pra nós dois dançar sonhando.

Contraste descompassado

Declaremos o fato que o amor e a dor fazem parte de nós. O início de tudo... A construção de nossa auto-convivência. O que diria a velha, antiga filosofia? O que é que pode se considerar imaginário hoje em dia? Vencer é bom. Vitória. Mas antes da vitória... Por que a disputa? Por que a luta, a batalha, a guerra? De certa forma, uma guerra entre dois países e uma disputa entre dois times de futebol é a mesma coisa. Não? Diga-me... Quantas canetas do escritório do seu chefe você precisa pegar para ser considerado um ladrão? Não fará falta pra ele, tem tantas lá... ... Quantas pessoas você precisa matar para ser considerado um assassino? Acredito que não preciso responder. Parando para pensar, os nossos conceitos são de fato perturbados pelo ambiente e pela mídia até. Eu acredito no bem, no amor e nessas coisas todas... mas ainda assim eu ando ligado a noite no meu próprio bairro, com medo de possível violência. POR FIM, concluímos que a vida é um contraste de amor e dor meio descompassad...

Minha pequena seresta

Vizinhos fecharam janelas... Evitaram até escutar minhas notas peripécias de uma voz recém-desperta... É que acordei com uma vontade de cantar-te uma seresta! pra tentar, de manhã cedo, ver o teu sorriso brilhar... Cê apareceu, boneca! Linda ainda a bocejar e me jogou um beijo doce lá de cima da janela Perdi até coordenação nas minhas notinhas singelas mas de amor que me laçou, me prendi no teu olhar! Procurei me concentrar, pra cantar minha canção que eu compus só pra ocê, minha boneca, minha vida, Cá estava eu, feliz com teu sorriso em minha mira, e te cantando meu amor, do fundo do coração! Num momento um tanto simples, mesmo com toda modéstia teu sorriso iluminou mais que o sol naquele dia! Me perdoe o desafino, não sou bom em cantoria Mas que fique no teu coração minha pequena seresta.

Detalhes

Essa semana eu pude presenciar dois momentos interessantes. 1º momento: Passando por certo lugar, pude observar um senhor de idade arrumar seu aconchego embaixo do teto do terraço de uma igreja. Bem lentamente o vi retirar seu lençol cuidadosamente dobrado da velha bolsa e forrá-lo em cima do papelão estirado ao chão. Organizar lentamente os detalhes e deitar. 2º momento: No outro dia, logo cedo, pude ver o mesmo senhor se levantar, dobrar cuidadosamente o lençol, guardar seu papelão e olhar pra rua, sem rumo nos olhos, pensando em por onde andar e o que fazer para conseguir o alimento do dia. Seu olhar não brilhava, a serenidade parecia pintada a tinta no rosto do velho senhor. Apesar de o texto não ser necessariamente uma poesia, se imaginares o velho, em sua posição, com suas determinadas atitudes, talvez encontres a poesia que viestes aqui procurar.

Choro seco

Com a falta de lágrima, vem o turbilhão de questões que tentam responder o porquê de a tristeza parar de responder. O corpo se acomodou ao sofrimento? O sofrimento cessou? Chega um ponto em que... Não sabemos definir se a tristeza acabou, ou se a chegou a um nível tão alto que nos levou até as forças necessárias para o derramamento de uma mera lágrima. Vivamos então com a dor, a tristeza e seus milhares de sinônimos. De um mínimo, exilado, indeterminado ponto de vista... a tristeza é o começo da alegria. Que deixemos bem claro o fato de que a tristeza é uma dádiva! A frase prévia pode ser considerada hipocrisia, eu lhes mostro um novo modo de ver os dias que ainda nos restam: Se buscamos a alegria em milhares de coisas, e a tristeza sempre está no caminho... busquemos então a alegria na própria tristeza! Ninguém nunca procurou lá. *** Eu só quero minha lágrima de volta.

RECITANDO MEU AMOR ♪♫

Quero pôr a mão na cabeça E agradecer a Deus por poder sonhar! Deitar na grama e olhar as estrelas De olhos fechados, ver o mar... Ligar-te pra dizer que não me esqueça, Eu voltarei pra te buscar. Te ouvir dizer: Desapareça! mas depois te ouvir chorar... Sorrir de leve e dizer: "Te amo... Nossa saudade vai passar. " ... Quero sentir a tua luz, antes que a luz do mundo acabe. E tocar nossas estrelas, Antes que o céu todo desabe, Porque é minha mais fugaz destreza recitar "O prazer que é amar-te".

O funeral da felicidade

Solicito o comparecimento de todos ao funeral de nossa amada e querida felicidade. Senhoras e senhores, a tristeza irá ler algumas palavras. "Diante de vós, nossa amada felicidade. A conhecemos quando ainda éramos todos novinhos, ela cuidava de nós desde aqueles tempos. Veio nos acompanhando sorrateiramente pelos nossos dias, aparecia em pequenos momentos, às vezes só pra dar um sorriso. Era calada e ajitada ao mesmo tempo, nunca sabíamos como ela ia se comportar, mas ela fazia uma falta tremenda quando não comparecia. Nos fazia sorrir, sempre nos colocava pra cima... Ah, felicidade..." Uma voz surgiu do fundo e perguntou: - Quem a matou? A tristeza parou de ler e respondeu: - Nós todos. A tristeza guardou seu discurso, olhou para os que ali compareciam, e começou a falar: - Apesar de vocês nunca terem visto nós duas realmente juntas, sempre estivemos muito próximas. Nos comunicávamos frequentemente, mas sempre houve uma parede finíssima entre nós, que nunca nos permitiu cont...