Atirei-te, espelho dele, pela brecha da janela! Quebra-te no chão em pedaços, teus cacos e tua tela que não vejo mais daqui; o carro já te atropelou enfim, não quero que voltes a refletir o meu amor. Atirei-vos, roupas dele, pela brecha da janela pois por mim nú ele iria para a casa da amante já aguardo um outro carro que virá a atropelar-vos e levarei o que deixou, até os últimos centavos. Esperarei despedaçada a chegada do canalha que, enquanto choramingo, deita com sua meretriz Há de ser o mal jogado em suas veias dilatadas! Pois aos prantos, berro meu, de tristeza me desfiz. E prometo, berro meu, se um dia ele voltar negarei-o até a morte, pois não vale tal apreço mas talvez, se ele chorar e ajoelhado suplicar quem sabe, talvez, sei lá, um dia... eu amoleço?
O que é poesia? Clara, concreta. A poesia é a essência de todos nós, dentro. É a forma da beleza expressada nas palavras ritmadas, rimadas, cravadas, desarmadas. É a linguística gritando o amor. - Otávio Alcântara.