Era 4:30 da madrugada...
Quando um velho músico, já cansado, pega seu violão e com os dedos meio trêmulos faz soar seu último acorde... Um DÓ.
Ele tinha dó de si, e vivia esperando o momento de sua hora... A hora em que a vida o levaria pra outro mundo... A hora que tudo se acabaria, e começaria. Ele andava pra frente, olhava pra frente, vivia pra frente... não havia em seu câmbio a marcha RÉ.
Seu carro velho chorava, como se o coração sentisse que o dono estava a partir... A ré já falhava e o freio nem respondia mais, mas os corações dos dois estavam de certa forma ligados... O motor partiu e em certo momento o aglomerado de sons que saía da correia do motor fez soar um MI.
A senhora esposa, coitada... Cansada da vida, cuidava da casa e sentiu a falta do seu velho. Foi ao terraço onde ele estava sentado na cadeira de balanço, debruçado sobre o violão, de olhos bem fechados. Nem precisou verificar pulso ou respiração, entendia perfeitamente o acontecido. De sua delicada mão, a colher de inox de mexer o feijão caía lentamente, junto com suas lágrimas... E ao colidir o chão, fez soar um abafado FÁ.
O filho mais velho, que dormia, ouviu o barulho da colher e se levantou sonolento com um certo aperto no peito, sem saber a causa. Foi à cozinha... à sala... até que chegou ao terraço e encontrou sua mãe ajoelhada, olhando para o céu, chorando levemente. Viu a uns 2 metros, na cadeira, seu pai falecido. Acabara de raiar o SOL.
A polícia chega um tempo depois, acalmando a família e recolhendo o corpo... A velha senhora, controlando o choro, falou ao policial que estava bem, porque sabia pra onde o seu velho foi. O filho, não conseguindo mais segurar o abalo do momento, pôs-se a chorar. Sua mãe se aproximou, colocou a mão no seu ombro, apontou para o céu e falou: "Filho, seu pai não morreu... Ele está LÁ".
Era 5:17 da manhã...
Eu comtemplava, da janela do sítio de minha tia, num interiorzinho do nordeste, a inesperada situação ocorrente na casa da frente, e num reflexo incontrolado de meus olhos, observei de longe um leve sorriso no rosto do velho músico. Percebi então que ele fez valer sua vida e sua música foi sua trilha sonora... Não acompanhei sua tragetória de vida, pois nem sequer tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, mas aquele leve e gentil sorriso me revelou que sua música eternizou-se dentro de SI.
"É no menor que o Maior se inspira, e di minuto em minuto que se faz o nosso tempo... Os alicerces que suntentam os bequadro's do teu palácio, se fazem também um forte Sustenido dos Bemol'dados gestos teus."
.................................. É sobre música, BY Otávio Alcântara
Quando um velho músico, já cansado, pega seu violão e com os dedos meio trêmulos faz soar seu último acorde... Um DÓ.
Ele tinha dó de si, e vivia esperando o momento de sua hora... A hora em que a vida o levaria pra outro mundo... A hora que tudo se acabaria, e começaria. Ele andava pra frente, olhava pra frente, vivia pra frente... não havia em seu câmbio a marcha RÉ.
Seu carro velho chorava, como se o coração sentisse que o dono estava a partir... A ré já falhava e o freio nem respondia mais, mas os corações dos dois estavam de certa forma ligados... O motor partiu e em certo momento o aglomerado de sons que saía da correia do motor fez soar um MI.
A senhora esposa, coitada... Cansada da vida, cuidava da casa e sentiu a falta do seu velho. Foi ao terraço onde ele estava sentado na cadeira de balanço, debruçado sobre o violão, de olhos bem fechados. Nem precisou verificar pulso ou respiração, entendia perfeitamente o acontecido. De sua delicada mão, a colher de inox de mexer o feijão caía lentamente, junto com suas lágrimas... E ao colidir o chão, fez soar um abafado FÁ.
O filho mais velho, que dormia, ouviu o barulho da colher e se levantou sonolento com um certo aperto no peito, sem saber a causa. Foi à cozinha... à sala... até que chegou ao terraço e encontrou sua mãe ajoelhada, olhando para o céu, chorando levemente. Viu a uns 2 metros, na cadeira, seu pai falecido. Acabara de raiar o SOL.
A polícia chega um tempo depois, acalmando a família e recolhendo o corpo... A velha senhora, controlando o choro, falou ao policial que estava bem, porque sabia pra onde o seu velho foi. O filho, não conseguindo mais segurar o abalo do momento, pôs-se a chorar. Sua mãe se aproximou, colocou a mão no seu ombro, apontou para o céu e falou: "Filho, seu pai não morreu... Ele está LÁ".
Era 5:17 da manhã...
Eu comtemplava, da janela do sítio de minha tia, num interiorzinho do nordeste, a inesperada situação ocorrente na casa da frente, e num reflexo incontrolado de meus olhos, observei de longe um leve sorriso no rosto do velho músico. Percebi então que ele fez valer sua vida e sua música foi sua trilha sonora... Não acompanhei sua tragetória de vida, pois nem sequer tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, mas aquele leve e gentil sorriso me revelou que sua música eternizou-se dentro de SI.
"É no menor que o Maior se inspira, e di minuto em minuto que se faz o nosso tempo... Os alicerces que suntentam os bequadro's do teu palácio, se fazem também um forte Sustenido dos Bemol'dados gestos teus."
.................................. É sobre música, BY Otávio Alcântara
Simplesmente incrível!!!
ResponderExcluir\o/
Perfeita simetria, de palavras, metaforas, significados...
Amei!
Um abraço.
Algumas pessoas fazem coisas para as quais é completamente dispensável o conceito de talento.....
ResponderExcluirou seja TÁ MASSA !!!!!
hfentes
caraca, MARAVILHOSO!
ResponderExcluirLindo, parabéns mesmo!
Pow, quase chorei, por falta do que falar, tá lindo, muito envolvente!
Olha, Tavinho! Tá muito massa!!!
ResponderExcluirFiquei imprecionada com a forma que vc escreve. Parabéns primo. Que Deus te guie sempre.
Sandrinha
Confesso que meu coração procurava por algo tão belo e sutil, que ao encarar o "Velho e a música" sabia que ali havia algo a me dizer.
ResponderExcluirAs notas se intercalando com os momentos finais de um homem posto à frente de sua morte ou a minutos deste nos envolve e faz valer todos os segundos que o prazer de uma leitura pode proporcionar.
Não sei se te disse, mas amar o amor pela escrita e a forma como conduzi-la faz de meros mortais agentes significantes para a vida de seus semelhantes, exatamente o que sinto agora ao ler tão linda história que parece que por ti foi acolhida em sublimes instantes de delirio apaixonante.
Perfeito!
De tudo o que já li nesta vida, esta foi, sem dúvida, o sentimento vivo que vi refletida diante das letras que ousara escrever...
Amo seu DOM.
Amo sua dedicação.
AMO VOCÊ!
Sempre com gestos delicados...
lindo pow perfeito a critividade!
ResponderExcluir(o escritor e meu primo e eu nao sabia)
Tens um dom cara...
ResponderExcluirLiebling.